Carnaval 1992

Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil

A Campeã do Grupo Especial com 298,5 pontos foi a terceira Escola a desfilar no dia 02 de março de 1992. O Sangue estaciano encheu de emoção a Passarela do Samba e levou para casa o troféu da vitória. A Estácio apresentou o enredo “Paulicéia Desvairada – 70 Anos de Modernismo no Brasil”; com alegorias de Mário Monteiro; figurinos de Chico Spinosa e produção cenográfica de Kaká Monteiro; tendo como colaboradores Keller Veiga, Ricardo Teixeira e Antonio Carlos. Como Presidente Acyr Pereira Alves e como patrono José Petrus, o “Zinho”. Selminha Sorriso e Claudinho o 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Mestre Ciça à frente da Bateria e intérprete Dominguinhos do Estácio. Assim a Estácio alcançou o campeonato do carnaval 1992.


Ficha Técnica

Presidente: Acyr Pereira Alves

Carnavalesco: Mario Monteiro e Chico Spinoza

Intérprete: Dominguinhos do Estácio

Mestre de Bateria: Ciça

Comissão de Frente: Intrépida Trupe

Rainha de Bateria: Monique Evans

Musa do Carnaval: Luciana Sargentelli

Departamento das Baianas: Marlene Povão

1º Casal Mestre Sala e Porta Bandeira: Claudio e Selminha Sorriso


Vídeos

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Sinopse de Enredo

A Estácio de Sá leva para a avenida a transformação causada pelo modernismo no Brasil. Este foi, sem dúvida, o maior movimento que já aconteceu entre nós. No princípio do século, a cultura brasileira estava estagnada. Se começou com a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, em São Paulo, até hoje é impossível dizer se já terminou. O Modernismo descobriu um outro Brasil e seu passado artístico. O barroco mineiro até então era desconsiderado. Os modernistas descobriram o nordeste, a Amazônia, o sul, resgataram a modinha tradicional, valorizou o chamado estilo Império (século XIX). Cultuaram o folclore e voltaram-se para as raízes da nacionalidade. Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Villa-Lobos mostraram a todos um novo pais.

A escola vai contar durante o seu desfile a história deste movimento. Durante as noites de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, o público reunido no Teatro Municipal de São Paulo, escutou música de Villa-Lobos, poemas de Manuel Bandeira e textos de vários escritores, como Menotti Del Picchia, Mário de Andrade e Plínio Salgado. No saguão do teatro, quadros de Anita Malfati e Di Cavalcanti, entre outros, e esculturas de Brecheret.

A semana foi um escândalo. Foi aberta com uma conferência do escritor Graça Aranha, já consagrado, e por isso ouvido em silêncio.

Na mesma época, a política adquire uma conotação ideológica. Surge o Movimento dos Tenentes.

E a ideia básica deste enredo é prestar uma homenagem aos 70 anos de Modernismo no Brasil, através de fantasias e alegorias inspiradas na estética do movimento. Será um enredo fundamentalmente visual.

Nos 80 minutos do desfile, a escola tentará transmitir ao público toda a explosão criativa contida nos textos e poemas de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Graça Aranha, Manuel Bandeira, Ronald de Carvalho, Menotti Del Picchia e Guilherme de Almeida A nova linguagem cinematográfica de Humberto Mauro, o universo mágico-musical de VilIa-Lobos e o Modernismo ousado dos artistas plásticos Di Cavalcanti, Anita Malfati, Victor Brecheret, Lasar Segal e Tarsila do Amaral. Também serão mostradas a revolução político-social, simbolizada pelo episódio dos 18 do Forte, e a influência do Modernismo na época atual, através do Tropicalismo.


Samba Enredo

Compositores: Djalma Branco, Déo, Maneco e Caruso

Intérprete: Dominguinhos do Estácio

Eu vi o arco-íris clarear
O céu da minha fantasia
No brilho da Estácio a desfilar
A brisa espalha no ar
Um buquê de poesia
Na Paulicéia desvairada, lá vou eu
Fazer poemas e cantar minha emoção
Quero a arte pro meu povo
Ser feliz de novo
E flutuar nas asas da ilusão

Me dê, me dá, me dá, me dê
Onde você for, eu vou com você
Lá vem o trem do caipira

Prum dia novo encontrar
Pela terra, corta o mar
Na passarela a girar
Músicos, atores, escultores
Pintores, poetas e compositores
Expoentes de um grande país
Mostraram ao mundo o perfil do brasileiro
Malandro, bonito, sagaz e maneiro
Que canta e dança, pinta e borda e é feliz
E assim transformaram os conceitos sociais
E resgataram pra nossa cultura
A beleza do folclore
E a riqueza do barroco nacional

Modernismo, movimento cultural
No país da tropicália
Tudo acaba em carnaval